A longa história dos cabelos

Sim o título não mente, a história é longa mesmo. Você já se perguntou sobre a história dos cabelos? Quando surgiram as barbearias, os salões de beleza, os cortes, penteados, etc?  Nesse primeiro post sobre esse assunto vamos contar o inicio dessa história. Quando, como, onde e por que o cabelo é tão importante para nós! 

Já na Pré-história, o homem das cavernas se esforçava para tratar e arrumar os cabelos. Achados arqueológicos de pentes e navalhas de pedra comprovam isso. O primeiro apogeu na arte de penteados ocorreu no velho Egito, há cerca de 5 mil anos. Perucas sofisticadas mostram a habilidade dos cabeleireiros que na corte dos faraós gozavam grandes prestígios.

No século II AC, na Grécia antiga, para encontrar um verdadeiro penteado requintado era conveniente dar asas à imaginação e ir até ao topo do Olimpo: espaço reservado aos deuses e deusas. Os penteados ostentavam algumas sobriedades e fantasias, prevalecendo os cabelos louros, frisados, com caracóis estreitos e discretos, com franjas em espiral.

Foram os gregos que criaram os primeiros salões de cabeleireiro (koureia), em Atenas, construídos sobre a praça pública, o Ágora. Lá, os Kosmetes ou “Embelezadores de Cabelo”, escravos especiais, circulavam soberanos. Os escravos cuidavam dos homens e as escravas das mulheres. Vemos que os cabelos, em particular, tiveram o privilégio de um espaço próprio.

Eram perfumados com óleos raros e preciosos, matizados com tons tintos ou descolorados, uma vez que a cor mais em voga era a loura. Nos penteados femininos, utilizavam-se faixas e laços por cima dos cabelos lisos e compridos. Mais tarde, a moda lançou os caracóis e os rolos de cabelos. Os penteados eram enriquecidos com pentes fiados em bronze ou marfim.

Na Grécia Antiga, a moda dos cabelos se mantinha por 2 a 3 séculos. A mudança era mais rápida na Roma Antiga, onde as esposas dos soberanos eram os exemplos, sendo seguidas por todas. A essa altura, no Império Greco-Romano, gregos e gregas faziam os cabelos dos romanos e penteavam as romanas. Nesses salões, discutiam-se novidades e propagavam-se as fofocas. Se antes existiam particularidades regionais, a partir de Luís XIV, a moda francesa dominou todas as civilizações.

No começo do século XVIII, as mulheres casadas usavam uma touca para esconder os cabelos e somente o marido delas poderia ver seus cabelos soltos. Maria Madalena, a pecadora, foi sempre representada com cabelos longos e soltos, ao contrário das Santas, que usavam toucas ou presos.

Jornais de moda, nos séculos XVIII e XIX, divulgavam os estilos por toda a Europa. Seguia-se o exemplo das casas reinantes de Paris e Viena, e também de todas as elites europeias. Os primeiros cabeleireiros para senhoras foram os Coiffures parisienses, Leonard, Autier e Legros Rumigny, que prestavam seus serviços à Rainha Maria Antonietta e recebiam altos salários.

Quando nos anos 20, a moda exigia cabelos “a la garçonne”, os partidários do cabelo comprido polemizaram que cabelo curto era vergonha para a mulher. Entretanto, as mulheres, cada vez mais envolvidas na sociedade e no trabalho, não mais admitiam seguir tradições que remontavam à Idade Média. Compreenderam que a moda de penteados serve como espelho da mudança social, pois o cabelo reflete atitudes pessoais, artísticas, mundanas e religiosas.

Na Grécia antiga, as imagens utópicas das divindades mitológicas assumiam um ideal de beleza e perfeição corporal. Essa preocupação estética levou à necessidade de um espaço exclusivo e adequado para o tratamento de beleza, incluindo o capilar. Assim, surgiram os primeiros salões de beleza e a profissão de barbeiro, exclusiva do sexo masculino. Já nessa época, os barbeiros completavam os penteados com falsos cabelos. Os calvos, usavam cabelos artificiais e cabeleiras (perucas).

Os homens pertencentes à nobreza e os guerreiros, apresentavam cabelos compridos, sustentados por faixas, correntes ou condecorações. Os adolescentes copiavam os penteados de Apólo e Arquimedes, enquanto os velhos e filósofos usavam cabelos longos e barbas densas, como símbolo de sabedoria.

As barbas e bigodes eram cortados com ponta de lança, à imagem de uma sociedade de gladiadores. Os escravos, que não se distinguiam dos homens livres, apresentavam cabelos curtos e lisos, não se permitindo barbas nem bigodes. Nas antigas culturas, quem pegasse na barba ou cabelo de uma pessoa, era severamente punido, pois significava um atentado à honra e uma intromissão em sua psique.

OS BARBEIROS E SUA HISTÓRIA

No século XVII e XVIII, os barbeiros eram profissionais que viajavam pelas províncias oferecendo seus serviços que incluíam corte de cabelo, sangrias, benzedura e venda de raízes, dentre outras coisas. Como sujeitos em trânsito, os barbeiros levavam histórias, coisas e acontecimentos muito variados, vividos por eles nas localidades.

Os barbeiros eram pessoas extremamente interessantes, pois, além do serviço de barbearia, eles também praticavam o comércio, e toda sorte de serviços rápidos demandados pelas comunidades, incluindo algumas práticas de cura. Antes de 1871, muitas pessoas resolviam seus problemas de saúde recorrendo a boticário, cirurgiões-barbeiros, barbeiros, sangradores e curandeiros, os barbeiros também tratavam das espadas dos reis.

Os barbeiros, além de cortar e pentear os cabelos e barbear, alugavam sanguessugas para os médicos-cirurgiões e clientes, faziam curativos e operações cirúrgicas pouco importantes. Por terem grande habilidade manual, os barbeiros faziam também extrações dentárias, porque a época ainda não existia a odontologia e muitos cirurgiões na maior parte, cirurgiões práticos não intervinham na boca das pessoas, por receio ou por desconhecimento de que isso seria possível.

Os barbeiros praticaram todos estes notáveis trabalhos de dentista, barbeiro, cirurgião, curandeiro e sangrador livremente, mas tinha que passar dois anos de pratica nos hospitais, até que o cirurgião mor lhes passasse a carteira, para exercer essas práticas de serviços.

Os barbeiros eram, portanto, pessoas de referência, conselheiros sociais, além de profissionais envolvidos com a solução de problemas de saúde do espírito e do corpo.

Assim, a profissão de barbeiro foi associada à manutenção da saúde física do indivíduo.

Os salões dos barbeiros ofereciam também banho quente, sauna e massagem, cortavam unhas dos pés e das mãos e também respondiam pela saúde do indivíduo, entretanto, esses os serviços eram pagos pelo público. A sangria era um lucrativo setor desse ofício. Nos séculos XVI e XVII, os barbeiros foram acusados de praticar a sangria despudoradamente.

Só no século XIX, o oficio de médico e de cirurgião dentista foi separado da profissão de barbeiro, porém, alguns continuaram a atuarem pouco tempo, foi daí que os barbeiros tiveram que se dedicar a uma só trabalho. No século XX, surge a figura feminina nos salões de barbeiros, tanto no exercício da profissão quanto na clientela, surgindo, portanto, os salões unissex.

SOBRE CABELEIRAS, BARBAS E BIGODES.

O corpo, único bem material que de fato possuímos enquanto vivos, tem sido alvo constante de nossa insatisfação através dos milênios. O ser humano não economiza esforços para modelá-lo a serviço de suas mais bizarras fantasias. E o que dizer do rosto a parte mais aparente do mapa humano? Mulheres e homens se lançaram com idêntica avidez à tarefa de embelezá-lo. Para isso nada melhor que esculpir pelos e cabelos, dúcteis defesas que a mãe natureza nos legou.

Procuremos ao acaso um capítulo de nossa história. Os romanos, por exemplo, senhores do império mais extenso que a antiguidade já conheceu.

A extrema simplicidade de suas vestimentas opõe-se à complexidade da maquiagem e ao tratamento dos cabelos. Comerciantes, políticos, atletas e guerreiros cortavam-nos curtos mas os cacheavam com chapinhas quentes e os perfumavam abundantemente. Por Ovídio sabemos que a calvície era considerada uma deformidade e insinua que Júlio César usava a coroa de louros para escondê-la. Utilizavam-se apliques e unguentos fabricados pelos hebreus, provavelmente os inventores das primeiras receitas estimuladoras do couro cabeludo.

Quando Publius Ticinus Maena introduziu a profissão de barbeiro a barba caiu de moda. Só os filósofos, emulando seus mestres gregos continuaram a usá-la. Nem sempre os pelos eram raspados, por vezes eram arrancados um a um ou lançando mão de vários tipos de ceras de depilação para deixar o rosto mais macio, não obstante este costume fosse considerado efeminado pelos mais velhos. A barba voltou à moda, sob o reinado de Adriano que, conforme comentavam às más línguas, tentava esconder sob os pelos o queixo coberto de verrugas.

Cabelos e barbas perfumados e hidratados com óleos específicos emolduravam rostos femininos e masculinos tratados com cremes e loções fabricadas para reavivar cor e textura da tez. Os cosméticos eram caros e em geral importados. Por causa das matérias primas abundantes e o conhecimento adquirido durante o cativeiro no Egito, os hebreus foram fabricantes e fornecedores respeitados durante um longo período da história.

Na Alta Idade Média, época de cavaleiros intrépidos, os cabelos longos e soltos eram a marca de alta linhagem, assim como a barba, apanágio de uma condição social superior. Acariciar a própria barba era gesto de orgulho e podia também significar um juramento solene.

No século XII a Igreja, baseada em seu ideal da “totalidade cristã”, iniciou uma verdadeira cruzada contra a moda masculina dos cabelos longos. Contam que Henrique I insurgiu-se contra as ordens dos eclesiásticos e entrou numa celebração religiosa com seus longos cabelos soltos e esvoaçantes. Serlo, o bispo normando, tirou da manga uma tesoura que levava escondida e, em plena cerimônia, cortou os cabelos do soberano. Logo o piso da catedral ficou coberto de madeixas de jovens nobres que seguiam o exemplo do rei. De nada adiantou, as longas cabeleiras reapareceram. No final do século, as chapinhas romanas para cachear voltaram à moda e os cabelos masculinos foram ornados com fitas de cores.

No vaivém de tendências chegamos ao começo do século XV quando o corte de cabelo estilo pajem se populariza e contagia o gosto dos jovens dos países nórdicos até a França.

Quando os dois jovens mais poderosos do século XVI, Henrique VIII e Francisco I adotaram a barba, ela saiu do ostracismo. Barbas e bigodes bem cuidados, alisados ou cacheados invadiram a Europa. Chapéus foram adaptados para deixarem em evidência os cabelos bem cuidados.

As abas impregnadas de perfume, algo inclinadas à direita ou esquerda, jogadas para trás, deixavam aparecer o rosto onde barba e bigodes com os extremos apontados para o alto, faziam a loucura das damas.

O final do século XVII vê nascer à moda das perucas inteiras masculinas. Um redator do London Magazine faz uma lista das formas de perucas disponíveis no mercado em 1753: “perucas em forma de asa de pombo, couve-flor, escadaria, vassoura, cometa, rinoceronte, pata de lobo” e muitas outras.

Penteadas e perfumadas espalhavam pó de arroz por onde seu orgulhoso dono andasse. Os ingleses com sua reconhecida praticidade inventaram um tipo de peruca recolhida na nuca num saquinho de seda preta. Evitavam assim, que as madeixas se desmanchassem e o pó se espalhasse sobre os ombros. Foram também os ingleses, desta vez as senhoras do período vitoriano, que criaram as toalhinhas de renda ou de crochê para cobrir os encostos das poltronas para evitar que os unguentos e o óleo de macassar utilizados nos cabelos dos cavalheiros manchassem os custosos estofamentos.

No período romântico o homem cuida de sua aparência a extremos que beiram o ridículo e, no entanto se esforça por demonstrar o oposto. Será nesse período que encontraremos uma das mais deliciosas descrições sobre o valor dos assessórios pilosos do rosto masculino. Em 1825 o poeta francês Châteaubriand escreve que o jovem que entra num salão ou passa pela rua deve ser notado “por certa desordem em sua aparência. Não deve aparecer com a barba totalmente raspada, nem longa, deve se ver como se ela tivesse crescido ‘involuntariamente’ em um momento de desespero. Cachos cuidadosamente despenteados pelo vento, olhar vazio, fixo, olhos atônitos, sublimes, lábios curvos num rito de desprezo pela raça humana, coração entediado ao estilo Byron, submerso no desgosto e no mistério do porvir”.

E o povo, trabalhadores das cidades e do campo? Como usavam os cabelos? Documentos escritos e algumas pinturas pouco ou nada esclarecem. Em geral Igreja e Estado impunham o corte de barbas e cabelos através das leis suntuárias. Quando isto não acontecia o homem simples deixou-os crescer por praticidade. Desde a antiguidade prisioneiros libertados raspavam os cabelos que tinham crescido nos anos de reclusão assim que atravessavam os portões da prisão. Mas em certos períodos da história rostos escurecidos por barba e cabelos mal cuidados, esgueirando-se pelos beirais dos bairros pobres significou que mudanças sócio-políticas estavam por acontecer. A barba converteu-se num símbolo de luta em favor da justiça e da liberdade.

O cabelo muito comprido para os homens demorou a voltar. Foi sepultado na época de Napoleão com o corte estilo Brutus adotado pelo imperador. Tivemos que esperar os anos 60 do século XX para ver desfilar barbas e cabelos longuíssimos nas cabeças dos jovens que aderiram ao movimento de contracultura.

Fonte

Abaixo veja um vídeo que conta a evolução da história do cabelo em aproximadamente 4 min.

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Publicado em 16 de setembro de 2012, em Cabelo e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

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